Podcast Think Tech: Telemedicina e a cultura digital na área da saúde

Podcast Think Tech: Telemedicina e a cultura digital na área da saúde

E hoje recebemos para um bate-papo junto com a Sara, nossa Especialista virtual em negócios, a Nancy Abe, CIO da empresa, para falar mais sobre a experiência do Grupo com este cenário.


Cássio Politi: O Think Tech está no ar. Meu nome é Cássio Politi e junto com Algar Tech nós vamos embarcar nessa jornada de repensar possibilidades. No episódio de hoje a gente faz uma imersão em TI na área de saúde. Como de praxe, eu quero convidar aqui a Sara, a nossa especialista virtual em negócios da Algar Tech. Sara, deixa eu te contar aqui: a nossa convidada de hoje trabalha na rede NotreDame Intermédica, que é um grupo com operadora de saúde, o que inclui planos de saúde. Esse papo é relevante porque o número de pessoas que tem plano de saúde privado no Brasil não é pequeno, Sara. 

Sara: Oi, Cássio. Não mesmo. O número de brasileiro que tem plano de saúde passa dos 49 milhões. Os dados são da Agência Nacional de Saúde Suplementar e foram levantados em 2022. Esses 49 milhões representam um crescimento de 2,6% em relação a 2021. 

Cássio Politi: 49 milhões de pessoas fazem qualquer mercado ser gigante. Para o bate-papo de hoje eu tenho a satisfação de receber a Nancy Abe, que é CIO da NotreDame Intermédica, que é a maior operadora de saúde do Brasil. Ela atua não só com a rede própria, mas também com uma rede de credenciados e segue crescendo. Claro, com base no passado, porque foi a pioneira em implementação de medicina preventiva no Brasil, e também olhando para o futuro, porque está, por exemplo, em um momento de fusão com a Hapvida, além de as iniciativas cotidianas ligadas à tecnologia como meio, não como fim. Nancy, grande prazer ter você aqui no podcast. Obrigado por aceitar o convite para essa conversa de hoje. 

Nancy Abe: Eu que agradeço. É um prazer e é uma honra estar participando aí desse podcast com você. 

Cássio Politi: A honra é nossa receber você aqui, Nancy. Ainda mais para falar de desafios de uma empresa como a NotreDame Intermédica. Na verdade, vocês cuidam, acho que é um pouco da cultura de vocês, das pessoas, e não necessariamente da doença, não é? Tem uma diferença clara e sutil, mas muito clara em qual é a grande diferença disso. Eu suponho que para isso, Nancy, vocês precisam conhecer bem os pacientes. No passado acho que conhecer o paciente significava muito ouvir o que o médico tem a dizer, o que o atendente tem a dizer, o que o enfermeiro tem a dizer. Claro que isso ainda é válido, a contribuição dessas pessoas é sempre muito rica, estão literalmente ali com a mão no pulso do paciente. Mas hoje os dados contribuem também, trazem muita precisão nesse momento de cuidar das pessoas, cuidar da saúde das pessoas, principalmente. Minha pergunta, feita essa introdução longa, Nancy, é como é que a tecnologia tem ajudado nesse sentido de entender bem quem são as pessoas e como cuidar da saúde delas? 

Nancy Abe: Acho que quando a gente fala de cuidar da saúde, a prioridade é você tentar antever qualquer tipo de doença que possa vir a ocorrer junto ao paciente, então acompanhar o que está acontecendo no prontuário médico e com o nosso paciente e nosso beneficiário favorece e facilita e viabiliza que a gente cuide da saúde, e não só da doença, como era antigamente, quando os médicos eram acionados pelos pacientes quando ele estava com uma doença, quando ele estava sentindo alguma coisa já. Não preventivamente. A tecnologia ajuda em vários aspectos. Eu acho que quando a gente fala da imensidão de dados, nossa operadora trabalha aí, tem aí uma carteira com mais de 5 milhões de beneficiários. Não tem como você guardar todos esses dados se não for utilizando a tecnologia. Esses dados precisam estar sendo enriquecidos de que forma? Sabendo, por exemplo: eu passei no clínico, fui direcionado para tal especialista, eu fiz tais exames, eu tive tais resultados, esse diagnóstico. Passa um tempo, eu voltei em uma outra consulta, eu tive tal situação, passei no check up. Você tendo esse histórico consegue acompanhar, o médico consegue acompanhar como que está o seu paciente. A gente usa os dados usando através de inteligência artificial, com analitics, a gente avalia esses dados de forma a identificar preventivamente que esse paciente tem a tendência ou é elegível para participar de um programa nosso de medicina preventiva, porque é um quadro de diabetes, por exemplo. A gente acompanha, faz um programa diferenciado de acompanhamento, de forma que ele evite ter que ir para um procedimento mais invasivo, certo? Esse tipo de ação você só faz com a tecnologia, por exemplo. 

Cássio Politi: Sim, porque o volume de dados, como você disse, é muito grande, Nancy. Fiquei imaginando aqui, você está falando de 5 milhões de pessoas só com inteligência artificial. Hoje isso acho que está fácil de entender, mas, Nancy, você vem de TI. Isso não é uma coisa que você constrói da noite para o dia. Hoje somos assim, temos só um sistema de e-mail básico aqui, ano que vem teremos tudo isso, inteligência artificial, data lakes e tudo mais. Como é que foi a construção disso ao longo do tempo? Quais são grandes etapas, grandes passos que vocês foram dando até chegar em uma estrutura que existe hoje?

Nancy Abe: Você tem que construir toda uma fundação. Essa fundação começa com os dados em forma digital. Por exemplo, aquele prontuário que o médico escreve no papelzinho e guarda a fichinha, isso a gente já não consegue trabalhar os dados se as fichas estiverem em papel. No começo, a gente até estudou algumas soluções para scanear aquele prontuário, tentar interpretar, mas a gente tem que combinar, letra de médico (inint) [00:07:32]. 

Cássio Politi: Isso que eu pensei. 

Nancy Abe: (inint) [00:07:34] no Brasil. A gente acabou, na época, abandonando essa alternativa e fomos implementando sistemas nas pontas, em todas as unidades assistenciais, para que a gente começasse a coletar os dados. Isso vem sendo a cada aquisição que a gente faz, a gente faz toda a implantação desses sistemas, e busca com isso colocar todos esses dados em um lugar só para que fique mais fácil você acessar aquele dado e enxergar o nosso paciente com a visão 360 que a gente fala. Vamos supor: eu vou fazer um exame. Eu não guardo só o laudo. Eu guardo a imagem. Eu guardo os dados daquela imagem para que eu possa analisar aquela imagem com um modelo preditivo, com um modelo de inteligência artificial, por exemplo. Aí eu tenho que amarrar esse dado da imagem com a paciente, com o paciente, e ir guardando isso no histórico. Eu fui fazer um exame de análises clínicas, o resultado de tudo isso eu também tenho que guardar junto. Na hora que eu, paciente, sento na frente do médico, ele tem que ter acesso a toda essa minha vida, essa minha jornada dentro da rede para conhecer o que eu fiz, deixei de fazer. Eu tenho aquele beneficiário que não usa a minha rede própria, que usa só a credenciada, então ali, óbvio, eu não tenho acesso à imagem, ainda aqui no Brasil a gente não tem isso, porque a gente não tem interoperabilidade, mas a gente consegue saber: olha, ele está indo em consulta com tal especialista, com tal frequência. Você consegue cruzar também esse tipo de informação. A construção de tudo isso foi começando a sistematizar toda a unidade e integrar todos os dados, colocar tudo, que a gente chama, em uma plataforma de interoperabilidade, para que a gente consiga acessar independente de que tipo de canal que foi utilizado para guardar aquele dado médico daquele paciente. 

Cássio Politi: Mata uma curiosidade minha, Nancy: o médico foi, em algum momento, uma barreira? Vou te explicar minha pergunta: quanto você vai ao médico, muitas vezes, hoje, estou pensando em um especificamente que eu vou há muito tempo fazer check up e tudo mais, ele está na fichinha ali? Ele tem o computador, você vê que certas coisas ele lança no computador, usa, mas acho que é mais agenda, e muita coisa ali, vamos dizer, o meu histórico está na fichinha, na gaveta dele, super organizadinha por ele, pela secretária. Funciona, mas funciona só enquanto eu estiver indo nele. O dia que eu for para outro médico, se por acaso eu quiser trocar, ferrou, ou eu roubo minha fichinha ou vou começar do zero. Minha pergunta: o médico representou uma barreira, em certa medida, disso: olha, pega isso que você aprendeu aí de pôr na fichinha, agora você vai lançar no computador? Como é que foi essa relação? 

Nancy Abe: Esses médicos estão atuando dentro da nossa instituição, então eles foram todos treinados. Tem, sim, essa barreira no começo, mas na hora que ele começa a ver os benefícios que ele vai receber… tudo bem que lá no começo quando você está construindo uma fundação, difícil você imaginar que em cima daquela fundação vai ter uma casa. Você só vê o buracão ali, as estacas. A mesma coisa para o médico no começo. Até eu conseguir colher esses dados vai demorar um tempão. Mas a gente vem trazendo, você começa a ver isso muito rápido, porque nós fizemos uma implementação de solução de mercado, então a solução já está prontinha ali. Aí, conforme a gente foi implantando em toda a nossa rede, essa troca de informação ficou muito visível. Aí você vai convencendo a equipe médica. A outra coisa super importante, no meu caso aqui no GNDI, foi o patrocínio de um sponsor da equipe assistencial, um diretor médico, que deu todo o suporte e foi com a área de TI fazendo toda essa transformação, montou uma equipe de médico e enfermeiro dentro do time dele para ajudar a TI a fazer essa implementação da velocidade, de fazer essa aderência. Para cada unidade que a gente vai entrar, a gente faz um assessment, levanta os processos, como que está funcionando hoje, para ver se tem alguma particularidade, para ver se o modelo padronizado encaixa direitinho ou se a gente tem que fazer uma adequação. Isso sempre vai uma equipe da TI com uma equipe desses profissionais médicos. Médico, enfermeiro, farmacêutico. Ele entra junto até para fazer a tradução do médico para a gente como do sistema, da parte de TI para eles. 

Cássio Politi: Muito interessante. A gente, na esteira disso, Nancy, de médicos e tecnologia, um assunto que me vem sempre à cabeça é telemedicina. A gente ouve falar disso há muito tempo, com barreiras legais, barreiras do próprio conselho de medicina. Claro, não estou julgando aqui quem está certo e quem está errado. Tem claramente ali um choque de cultura de uma profissão, como tem com advogados também. Isso não necessariamente é ruim, é só uma característica. Agora, a partir da pandemia, pelo menos eu, que não estou, assim como você, dentro desse mundo, a gente raspa às vezes, de vez em quando ali, em um contato com alguém desse mundo de medicina, mas a sensação que fica é que depois da pandemia essas barreiras também foram caindo para a telemedicina. Não que hoje tudo já seja remoto, mas a gente viu uma mudança. Como é que foi essa relação medicina, telemedicina, para quem está dentro de uma operadora grande como você? Como é que foi essa relação? 

Nancy Abe: No caso, a gente entrou fortemente com a telemedicina com o estouro da pandemia, então, para nós, foi uma ferramenta com grande potência, porque, imagina só, a gente precisava evitar que pacientes que não estavam com covid chegassem a uma unidade e pudessem ser contaminados, porque a gente foi dividindo, por exemplo, esse hospital vai atender covid, esse daqui não vai, essa ala vai ser covid, essa ala não vai ser, então teve que mudar até… a gente não percebe isso quando a gente está fora da saúde, mas até o caminho que você vai fazer você tem que redesenhar para que você não tenha essa mistura das pessoas em alas que são de covid, por exemplo. Tudo isso teve que ser revisto muito rapidamente. Nós tínhamos pessoas no começo, profissionais, que estavam naquele grupo de risco, mais de X anos, tinham já alguma doença prévia, então esses profissionais médicos, por exemplo, foram direcionados para fazer atendimento via telemedicina, então ele ficava em casa e fazia o atendimento. Isso ajudou muito a gente a usar nossa própria rede para fazer o atendimento através da telemedicina, a gente conseguiu com isso reter paciente para que ele não fosse a uma unidade e corresse o risco de ser contaminado, infectado, e a grande ajuda foi que a gente implementou isso muito rápido. Início de abril, ou seja, 15 dias depois do anúncio da pandemia a gente estava com a solução no ar. Não estava zero bala, redondinha, mas ela estava funcionando ali e depois a gente foi fazendo as melhorias, as adequações que foram necessárias. Hoje nós somos um dos maiores players no mercado que faz atendimentos via telemedicina. A gente faz não só para pronto atendimento, faz para agendas eletivas, faz atendimento de psicoterapia, faz de nutricionista, então você tem aí agora especialidades também fazendo atendimento via telemedicina e isso traz um benefício não só para o paciente, como para nós também, que a gente, no caso da pandemia, porque a gente conseguiu atender aquele paciente e evitar uma infecção, no caso a gente conseguia fazer, quem não estava com covid, estava com outros sintomas, poder fazer o primeiro atendimento, a gente também conseguiu fazer por lá, então isso foi fantástico. Hoje isso se continua, porque a gente foi incluindo outras especialidades. Imagina assim: hoje você vai, faz um check up, que nem você falou. Aí você espera o resultado ficar pronto dos exames. Aí você tem que agendar o retorno com o teu médico. Você leva aquele monte de exame. Ele vê e está tudo bem. Você fala: está tudo bem, vamos ver daqui 6 meses ou daqui um ano. Você cata toda aquela papelada, aquele monte de exame, e volta para casa. O tempo que você gastou para deslocamento, o tempo que você gastou de condução, de transporte, estacionamento, dependendo de onde você vai, versus você sentar na tua casa na frente de um micro e conversar com o teu médico, ele falar: já vi teus exames, está tudo ok, olhei aqui, tem isso e isso que apareceu, fica tranquila. Te explicar o que ele faria em 15 minutos, 20 minutos no consultório dele, você fez 20 minutos e liberou. Você não gastou uma hora para ir, uma hora para voltar. Esse tipo de facilidade, esse tipo de benefício eu acho, em uma cidade como São Paulo, por exemplo, que tem trânsito para tudo quanto é lugar, acho fantástico. Minha opinião. Eu acho que houve uma aceitação dos pacientes também muito boa. 

Cássio Politi: Porque é aquilo, não é, Nancy? Você quando não precisa ser examinado pelo médico, é como você está falando, você tem uma otimização enorme de recurso para todos os lados. Outro dia minha esposa me aparece com o olho vermelho, incha, é conjuntivite ou não é? Fala com aquele amigo oftalmo, ele fala: isso não tem jeito, você vai ter que ir ao consultório, porque tem um aparelho lá, uma máquina, que vai colocar no olho e vai saber se é vírus, se é bactéria, sei lá o que pode ser. Onde eu quero chegar com isso? Tinha uma barreira natural para a telemedicina que era operacional. Você não vai dar ponto em ninguém, pegando um caso extremo, pelo Google Meet. Agora, essa barreira, como você disse, a pandemia mudou um pouco a forma de a própria medicina, os próprios médicos enxergarem isso. E do ponto de vista de tecnologia, Nancy, tem complicadores? Para um leigo como eu a gente pensa: isso é só uma vídeo conferência. A gente está gravando esse podcast em uma vídeo conferência. Qual é a dificuldade? Só que a gente sabe que em medicina você tem ali que preencher prontuários, tem algumas regras que tem que cumprir. A pergunta é: do ponto de vista de TI, operar a telemedicina é algo simples ou complexo? 

Nancy Abe: Hoje já não, porque já está tudo pronto, mas vamos lá no começo: você tem que treinar o médico, atender através de uma vídeo conferência. Lá atrás, quando a gente começou no início da pandemia, não tinha cultura de você fazer e nem se fazer conferência. O médico não está acostumado com isso. Quando você fala da barreira do médico, muitos médicos não tinham isso muito fácil, então você tem que treinar o médico a atender através de uma vídeo conferência. A outra coisa: você em algumas práticas que você tem que estar mais atento quando você está fazendo uma vídeo conferência. Como você olha para o paciente, como você fala com o paciente. Você vai fazer o atendimento, você tem que estar com o seu jaleco, que você tem que estar assim, tem que estar… você está fazendo atendimento profissional. Não é porque você está em casa que você vai atender o paciente de pijama. Exagerando aí. Você tem cuidados que você tem que fazer e para não ser só uma vídeo conferência. Tem um outro ponto quando a gente fala de tecnologia: antes de você ser atendido, antes de o Cássio ser atendido pela médica Nancy, eu preciso saber se o Cássio realmente é um beneficiário do nosso plano e se o plano que ele tem contratado dá direito àquele tipo de consulta via telemedicina. Vamos supor, está bom? É porque lá a gente estava fazendo para todo mundo, mas vamos supor. A gente chama aqui, tem toda a parte de elegibilidade, que você vai passar os seus dados, seus dados de carteirinha, seus dados, CPF, eu vou consultar aqui para ver, beleza, é elegível e libero o atendimento. Começou o atendimento, ele tem que abrir a sua ficha. Eu tenho que integrar com o nosso sistema de prontuário para pegar a ficha, porque o Cássio já passou em um hospital do GNDI ou passou em uma clínica, então ele puxa o seu histórico, o seu prontuário, e começa. Que nem o seu médico abriu a fichinha, pegou lá o papelzinho, a gente tem que fazer isso, só que está lá em outro sistema, ou está no mesmo sistema, mas ele tem que trazer para ficar acessível para o médico que está fazendo atendimento via telemedicina. Está acessível também para ele conseguir atualizar aquele prontuário, colocar o que aconteceu na consulta de hoje, qual foi o prognóstico, qual foi a recomendação, e mais: vai ter que tomar uma medicação. Emitir uma receita digital. Também tem a funcionalidade de emissão de receita digital com QR Code direitinho e que vai ser aceito por uma farmácia. Ele tem que pegar uma dispensa de 15 dias. Você também emite o atestado para que o Cássio fique descansando 15 dias e não vá trabalhar. Você também tem que guardar todos esses registros, você tem que ter a solução para produzir isso e gerar de forma digital com o certificado para chegar no seu celular, no seu e-mail, aquela receita, aquele atestado. Tudo por trás disso você tem a LGPD, porque são dados pessoais seus, são dados médicos seus que a gente não pode correr o risco disso vazar. Tem todo o aparato de segurança de informação que está aí por trás. Um pouquinho de coisa. 

Cássio Politi: A LGPD aí, eu fico imaginando que seja, um vazamento de dados, nesse caso, putz, expõe de um jeito arriscado, mas eu imagino que esse assunto, até por muita gente, muita empresa começar a atentar para ele, você vai criando ali a cultura, tanto nas empresas quanto nas pessoas, Nancy, de proteger mais os dados, das próprias pessoas não serem, não provocarem tanta vulnerabilidade, enquanto do lado das empresas é legal ouvir que já tem esse tema andando. Você falando tudo isso, Nancy, para a gente fechar a conversa aqui, me deu uma impressão de que precisou ser feito um trabalho no grupo NotreDame Intermédica, hoje GNDI, como é mais fácil falar, vocês talvez tenham provocado uma mudança de mentalidade. Talvez tenham provocado uma mudança na cultura da relação entre TI, dados, médicos, pacientes e o próprio negócio. Isso já era assim quando você chegou ou você, de alguma forma, precisou construir uma cultura nova? 

Nancy Abe: Não, quando eu cheguei a TI, não que era um mal necessário, mas a TI não ajudava o negócio, tinha lá os… o que eu acho que a gente mudou de cultura até dentro da própria TI, é a TI ser o agente de transformação, a TI ser um agente de mudança de cultura, porque você precisa dessa mudança de cultura da organização até para a TI poder entrar e ajudar de forma estratégica, senão você só fica no operacional ali, só fazendo a parte transacional, toda essa parte de inteligência artificial, de tomada de decisão, de você fazer coisas de forma preventiva, isso é estratégico e se você não tiver todo esse engajamento do negócio, do médico utilizando sistema, do diretor olhando aquela informação e tomando uma decisão, se não tem nada disso, não tem o porquê da TI fazer todo esse trabalho. A TI tem que ser esse agente de… foi o agente de transformação e de mudança de cultura tanto da TI mesmo quanto da própria organização, que já vinha sendo transformada ali. Foi uma jornada muito bonita de transformação que foi feita nesses últimos 6 anos. 

Cássio Politi: Nancy, quero te agradecer muito por esse papo e te parabenizar também por comandar com uma forma tão objetiva um grupo tão grande e tão importante, que eu imagino que se não estivesse na vanguarda da TI ele se colocaria, em determinado momento, sob risco, porque a tecnologia hoje faz parte do pilar do negócio de muitas empresas. Em saúde não vai ser diferente. Quem não acompanhar essa evolução, imagino eu que corra um certo risco no futuro. Ouvir uma história como a sua é muito bom, alerta profissionais de TI e também de outras áreas para essa importância. As portas estão sempre abertas. Obrigado, Nancy, por esse papo tão gostoso hoje aqui. 

Nancy Abe: Cássio, muito obrigada pelo convite e precisando estamos aí. Agradeço suas palavras, agradeço a oportunidade de estar podendo compartilhar um pouquinho da nossa jornada. Muito obrigada mesmo. 

Cássio Politi: Muito bem. Vamos chegando ao final do Think Tech de hoje. Sara, a gente falou aqui do crescimento da telemedicina. Já vinha acontecendo, mas a pandemia acelerou muito isso. A telemedicina vai se tornando uma realidade. 

Sara: Vai sim, Cássio. A procura por consultas via telemedicina mais do que triplicou no primeiro bimestre de 2022, isso em comparação com o mesmo período de 2021. Os dados são do portal Medicina SA. O levantamento mostra que 95% dos casos foram solucionados de forma remota, ou seja, o paciente não precisou ir pessoalmente ao médico. 

Cássio Politi: É isso aí. Think Tech de hoje fica por aqui. Até a próxima. 


E aí, gostaram? Fique ligado que toda quinta-feira temos um episódio novo. Escolha onde acompanhar:

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